Minha mãe diz que cortou meu cabelo desse jeito porque eu não deixava ela me pentear. Eu também não dava a mínima pra roupa, diferente da minha irmã. Eu detestava boneca, achava um porre. Mas eu adorava quando meu avô me dava aqueles carrinhos Matchbox, cuidava deles com todo amor do mundo. Só que pra mim isso nunca quis dizer nada. Até porque com uns 9 anos eu me apaixonei por um menino da minha sala e depois dele por outros, então nem passava pela minha cabeça que eu podia ser gay. Isso até eu mudar de escola, no 3º colegial, e nutrir um amor platônico absurdo pela minha amiga, que era lésbica mas namorava, e que nunca deu em nada. Eu continuei ficando com homens, achei que tivesse sido aquela menina e só, mas depois de um tempo conheci outra menina, amiga de uma amiga minha, deu vontade e eu acabei ficando com ela. Daí em diante as coisas começaram a fazer mais sentido. Primeiro crush famoso eu não lembro, mas acho que foi a Drew Barrymore http://twitter.com/tate_ http://www.facebook.com/tate. http://www.youtube.com/
Eu não tive dificuldade nenhuma em assumir pra mim mesma, mas contar pros outros foi difícil. Eu achava, que iam me tratar diferente, mas logo eu descobri que o clichê era real: se as pessoas mudam com você por causa do que você é, elas nunca foram suas amigas pra começo de história. E no fim das contas, não mudaram. Vale o mesmo pra família. A gente não tem o hábito de falar sobre relacionamentos em casa, sejam eles gays ou heteros, mas minha mãe lê meu blog, meu twitter, fuça tudo mesmo (provavelmente vai ler isso aqui, então oi mãe =D), e leva numa boa, dá risada - até porque eu sou a primeira a fazer piada com os estereótipos que volta e meia eu incorporo (no link do youtube tem uns vídeos que eu fiz, "Sapatão da Depressão", que são exatamente isso), mas que não representam tudo que eu sou. E acho que é justamente por saber disso, saber que a minha sexualidade não determina quem eu sou, só de quem eu vou gostar, que é tudo tranquilo.
Vocês podem ver, que as meninas ao meu lado estão sentadinhas e eu, de pernas abertas. Sempre fui assim, largada, sem paciência pra nada.
Sempre fui de boa, nunca sofri bullying, até porque eu o praticava (pois é, pessoinha sem noção), sempre fui popular, tive muitos amigos e era a líder deles.
Passei a me questionar sobre "ser sapatão" quando tinha uns 10 anos, sabia que tinha algo de diferente comigo mas não sabia o que era.
Quando fiz 15 anos e fui pro 2º grau, mudei de escola. Tava esquecendo o menino que era apaixonada e no verão de 93/94 passei a me relacionar mais com as meninas do bairro onde minha mãe ainda mora. No meio dessas meninas, tinha uma de 21 anos, que sabe-se lá porque (mentira, sei sim) chamou minha atenção. Eu tava cansada desses papinhos de meninas de 15 anos, que falam o tempo TODO de meninos, elas só falavam isso.
Essa menina mais velha, conversava comigo sobre tudo. Pronto, dali pra virar algo mais, foi um pulo. Me apaixonei de uma tal forma que não sabia como lidar, minha mãe descobriu, me bateu, me fez fazer promessa para deixar de ser sapatão.
Acabei contando para uma amiga da escola, e advinhem? Ficamos juntas um tempão, tinha cometários na escola, tinha gente que ficava de piadinha e esse #mimimi todo, eu sinceramente cagava. Novamente minha mãe descobriu (sapatão burra, nasce homem) e me separou dessa menina.
Achei que era coisa de adolescente e fui viver, comecei a ficar com meninos, fui pra faculdade, passei o rodo nos meninos, e meu auge foi pegar meu professor no dia da formatura.
Arrumei um namorado e tava "feliz", não tinha mais ficado com meninas, desde os 16 anos e tava me sentindo "curada". Terminei o namoro, arrumei outro. Fiquei NOIVA.
Aí conheci uma menina, lá na obra onde eu trabalhava (sou arquiteta). Pronto, ó eu caindo em tentação de novo. Fiquei com ela.
Depois terminei o noivado, por outros motivos e fiquei desempregada. Passava o dia na net, no Orkut, conheci várias meninas, mas uma delas, me chamou a atenção, eu tinha 28 anos e ela 19. Ela nunca tinha ficado com menina e eu já. Fui me apaixonando... vim atá SP conhecê-la e 6 meses depois mudei e fui morar na casa dela.
Meu irmão descobriu, me tirou do armário, me bateu, me xingou e virou a cara para mim. Hoje estamos tentando nos aproximar.

Em abril fazemos 5 anos de namoro. Ano passado em Abril também, casamos e em Junho ela saiu de casa para vir morar comigo.
Hoje estamos felizes, tivemos alguns problemas, mas tudo foi resolvido. Nem tudo é perfeito, mas é perfeito do nosso jeito.
Minha mãe, de total repulsa, já passou a aceitar um pouco mais e cogita vir aqui em casa nos visitar. Meu irmão também. Deixei claro que estaremos aqui de braços abertos esperando quem quiser vir aqui.
Quando eu me aceitei, as coisas ficaram mais fáceis, não perdi amigos antigos, meus novos amigos sempre souberam e nos apoiam.
Hoje sei que nasci assim, vou morrer assim e sou feliz desse jeito.
Não lembro de ter uma crush quando eu era criança...acho que foi a Cristiana Oliveira, na novela Pantanal. Mas não tenho certeza.
E pra quem quiser saber mais da Juliana, aqui está o twitter dela, o facebook e seu blog pessoal!



