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Teresópolis, 1993


Quando eu nasci, fazia muito tempo que não havia uma criança na família, o que fez com que eu fosse criada como uma 'princesa'.
Enquanto eu ia crescendo algumas coisas em mim me incomodavam, pois eu sempre preferia jogar futebol, soltar pipa, brincar de carrinho. Bonecas me cansavam, arrancava os braços de todas, cortava os cabelos e eu não entendia porque eu era menina se ser menino era bem mais divertido. E apesar de eu gostar dos meninos eu também gostava das meninas, de uma forma que eu sabia que não 'podia' gostar.
Fui crescendo e isso não foi mudando, o que me angustiava muito. Eu queria definir logo o que eu era, se eu gostava só de homem, só de mulher ou os dois.
Com 16 anos surgiu uma oportunidade de ficar com uma menina pela primeira vez, eu fiquei e gostei. O que me deixou mais confusa ainda.
Aos 18 eu percebi que eu só estava tentando fugir da verdade. Eu gostava tanto de menino quanto de menina, e a partir do momento que eu consegui assumir pra mim, ficou mais fácil de assumir pras pessoas. Sem medo, sem vergonha.

Minhas paixões de infância: Johnny Depp em Edward Mãos de Tesoura e Christina Aguilera

E o twitter da Ada é este aqui.

Em algum lugar do Brasil, 1994 ou 95 quem sabe 96.

Meu nome é Esther, nasci em 1989 em São Paulo. Infelizmente essa é a única foto que achei e não tenho uma data exata, muito menos de onde foi tirada. Sei que foi em alguma das viagens que fiz com meus avós, e tô com cara de uns 5 ou 7 anos.

Sempre gostei muito de brincar de Barbie. Não saía do mercado enquanto meus pais não me dessem a porra da boneca loira. Quando ganhei a casa da Barbie da Fada do Dente na Páscoa num embrulho verde do Mappin (gente, criança é um ser tão inocente) foi que realmente começou a festa. Demorei muito pra ganhar um Ken, mas quando ganhei... Ele saía pra trabalhar e a minha Barbie fazia a festa com suas amiguinhas. Sim, elas se pegavam. Era a parte que eu mais gostava. Aliás, me excitava.
Mas a grande verdade é que só fui começar a descobrir quem eu realmente era nos meados dos meus 10, 11 anos, quando "perdia" mais tempo observando as meninas que os meninos, e sempre com sentimento de culpa. Lembro de como ficava pensando "Não, não sou sapatão". É meio trash, mas o que falar pra uma menina com essa idade que cresceu ouvindo muitas críticas sobre homossexuais e negros? Passei a maior parte da minha infância na casa dos meus avós, faz sentido afinal. Não que eu ache que justifique, mas hoje eu - e penso que muita gente - compreende que para pessoas mais velhas, que tiveram uma criação dura, é muito mais difícil aceitar do que para nossos pais, por exemplo. E tem mais um fator: meu avô é a pessoa mais querida, decepcioná-lo não está nos meus planos. E olha que meu avô aceita muita merda de mim, mas essa eu tenho medo. Enfim.
Acho que se não tivesse conhecido os amigos que tenho, não teria saído do armário tão cedo. Quando você conhece pessoas que já estão dentro desse mundo, as coisas se tornam muito mais fáceis, não parece um bicho de sete cabeças e as dúvidas vão sendo explicadas. Lembro que foram muitas investidas até eu realmente ceder ao meu primeiro beijo lésbico, mas que foi um alívio tão grande perceber que, antes de ser uma mulher, era uma pessoa, uma pessoa como todas as outras milhares que existem no mundo. Isso aconteceu quando eu tinha 14 anos.
A minha felicidade era tanta que, gente, foi uma imbecilidade o que eu fiz, mas ok. Sempre sofri bullying a partir do momento que troquei de escola. Eu era a gorda, a nariguda... Aprendi a lidar com isso, até sinto saudades, pra ser sincera, mas a minha imbecilidade aconteceu no último colégio que estudei. A felicidade era tanta que acabei me assumindo e, paredes tem ouvidos e eu falo alto, então as meninas achavam que só porque tinha beijado uma menina, eu queria traçar todas elas. Ok, barangas, nunca tive vontade, engulam essa e não se achem muito da próxima vez. De qualquer forma, lidei bem com isso, já era da turma dos excluídos e sou da opinião de que é amigo meu quem quer, goste de mim como sou.
Da família, me assumi primeiro para meu tio, em seguida para meu irmão mais velho (e no dia que me assumi minha mãe ouviu, mas nada mudou, eu sabia que ela sabia, ela sabia que eu sabia, e fingíamos que não estava acontecendo nada). Já beijei uma menina na frente do meu irmão mais velho e foi tranqüilo. O problema maior foi meu irmão mais novo que, na época que namorava uma menina, resolveu começar a forçar a barra nas piadinhas, e minha mãe, diva, simplesmente disse "Se você não gosta, saia de casa, seu irmão e eu não temos problemas com isso". Eu comecei a trocar idéias com a minha mãe sobre isso quando namorava essa menina, ela chegou a vir em casa, e minha mãe super relax. Não posso reclamar, foi uma saída de armário sem muitos dramas.

- Primeiro Crush por pessoa famosa: Tchans, minha primeira paixão do mesmo sexo, vou ser franca, me apaixono mais por personagens do que por pessoas. Amava a Tomoyo, de Sakura Card Captors.

Twitter: @stheh

Poços de Caldas, 1992

Vou começar minha definição de “Born This Way”: É se sentir diferente das outras pessoas, independente de sexo, religião, cor...é algo mais íntimo, como se você soubesse que faz parte de algo especial. Bem, eu sempre me senti assim.
Na verdade, desde pequena eu era diferente das meninas da minha sala.
Eu não conseguia me limitar a ‘coisas de menina’ como paquerar, me maquiar, fofocar ou mesmo me comportar. Era ativa, inquieta, curiosa, sempre hiperativa, correndo, fazendo bagunça.
Eu jogava futebol com os meninos da minha rua, da escola, e até os mais velhos. Me lembro de estar na 5ª série jogando com os meninos da 8ª.
E eu gostava, aliás, era aceita entre eles. [Claro que sempre tinha um babaquinha ou outro.]
Passei praticamente minha adolescência entre homens, e fui criada entre meus primos.

Você pára e pode até pensar: Toda sapatão SEMPRE joga futebol.
Aí que tá. Eu nunca senti nada a mais por mulheres na fase escolar ou até mais novinha.
Na verdade, lembro de gostar de alguns garotos que por sua vez não me davam bola, pelo meu jeito desleixado.

Mas a coisa toda começou em 2006, eu então com 20 anos.
Tinha um ‘fake’ virtual e conheci uma garota que também tinha um.
O engraçado nisso tudo é que o personagem dela era homem, e ela, por sua vez, agia como um dentro do personagem. Falava sobre ela, como sendo um homem. E eu me apaixonei...mas comecei a desconfiar e um dia descobri tudo. Ele realmente era ela.
Bobo né?

Mas deu um nó na minha cabeça. E no começo foi como se meu mundo desabasse. Apesar de ser virtual eu sempre me achei muito esperta pra cair numa coisa dessas, imagina, se apaixonar virtualmente era impossível ao meu ponto de vista, e até então todo mundinho que eu vivia, e conhecia desabou.
Depois da ‘nóia’ inicial resolvi deixar rolar e a coisa toda fluiu por mais ou menos 1 ano.
Detalhe: Ela também nunca havia ficado com meninas e nos descobrimos juntas.
Quando terminamos fiquei muito mal. Entrei em depressão por um tempo, e minha mãe preocupada e sem saber de nada entrou em pânico vendo que eu havia perdido 10kg.
Me perguntava o porque e eu não dizia, com medo.
Um dia cheguei e disse tudo. Que havia namorado a menina de longe que foi dormir na nossa casa nas férias.
Ela, como uma religiosa e com seus valores tradicionais ficou chateada, não falou comigo por algumas semanas e eu não a culpava. Como poderia exigir que ela aceitasse um mundo que até então pra ela era desconhecido?

Mas passado tudo isso eu comecei a dar mais liberdade às minhas descobertas. Minha mente abriu muito e não só na parte sexual, mas na minha vida em geral.
Já tive experiências com os dois sexos, e apesar de muita gente achar que bissexual é uma pessoa mal resolvida, eu discordo e respondo por mim que sou muito bem resolvida, obrigada! Gosto de pessoas. Pessoas de atitude, que desafiem minha inteligência, que mostrem que estou errada também.

P.S: A foto é de 1992, uma peça infantil como qualquer outra, não fosse pelo fato das meninas que atuavam nessa mesma peça quererem dançar só comigo. (O_O)

Crush: Leonardo DiCaprio na época frenesi de Titanic, depois váááários até Orlando Bloom. Daí veio Michelle Rodriguez também e eu não soube de mais nada. (haha)


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