Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a postagem.

Rio de Janeiro, 1981

Meu nome é Juliana, sou Carioca da gema, com muito orgulho, nasci em 78 (ok, sou velha) e essa foto se eu não me engano é de 81, quando eu tava no Maternal.

Vocês podem ver, que as meninas ao meu lado estão sentadinhas e eu, de pernas abertas. Sempre fui assim, largada, sem paciência pra nada.

Sempre fui de boa, nunca sofri bullying, até porque eu o praticava (pois é, pessoinha sem noção), sempre fui popular, tive muitos amigos e era a líder deles.
Passei a me questionar sobre "ser sapatão" quando tinha uns 10 anos, sabia que tinha algo de diferente comigo mas não sabia o que era.

Quando fiz 15 anos e fui pro 2º grau, mudei de escola. Tava esquecendo o menino que era apaixonada e no verão de 93/94 passei a me relacionar mais com as meninas do bairro onde minha mãe ainda mora. No meio dessas meninas, tinha uma de 21 anos, que sabe-se lá porque (mentira, sei sim) chamou minha atenção. Eu tava cansada desses papinhos de meninas de 15 anos, que falam o tempo TODO de meninos, elas só falavam isso.

Essa menina mais velha, conversava comigo sobre tudo. Pronto, dali pra virar algo mais, foi um pulo. Me apaixonei de uma tal forma que não sabia como lidar, minha mãe descobriu, me bateu, me fez fazer promessa para deixar de ser sapatão.

Acabei contando para uma amiga da escola, e advinhem? Ficamos juntas um tempão, tinha cometários na escola, tinha gente que ficava de piadinha e esse #mimimi todo, eu sinceramente cagava. Novamente minha mãe descobriu (sapatão burra, nasce homem) e me separou dessa menina.

Achei que era coisa de adolescente e fui viver, comecei a ficar com meninos, fui pra faculdade, passei o rodo nos meninos, e meu auge foi pegar meu professor no dia da formatura.
Arrumei um namorado e tava "feliz", não tinha mais ficado com meninas, desde os 16 anos e tava me sentindo "curada". Terminei o namoro, arrumei outro. Fiquei NOIVA.

Aí conheci uma menina, lá na obra onde eu trabalhava (sou arquiteta). Pronto, ó eu caindo em tentação de novo. Fiquei com ela.

Depois terminei o noivado, por outros motivos e fiquei desempregada. Passava o dia na net, no Orkut, conheci várias meninas, mas uma delas, me chamou a atenção, eu tinha 28 anos e ela 19. Ela nunca tinha ficado com menina e eu já. Fui me apaixonando... vim atá SP conhecê-la e 6 meses depois mudei e fui morar na casa dela.

Meu irmão descobriu, me tirou do armário, me bateu, me xingou e virou a cara para mim. Hoje estamos tentando nos aproximar.

Em abril fazemos 5 anos de namoro. Ano passado em Abril também, casamos e em Junho ela saiu de casa para vir morar comigo.
Hoje estamos felizes, tivemos alguns problemas, mas tudo foi resolvido. Nem tudo é perfeito, mas é perfeito do nosso jeito.

Minha mãe, de total repulsa, já passou a aceitar um pouco mais e cogita vir aqui em casa nos visitar. Meu irmão também. Deixei claro que estaremos aqui de braços abertos esperando quem quiser vir aqui.

Quando eu me aceitei, as coisas ficaram mais fáceis, não perdi amigos antigos, meus novos amigos sempre souberam e nos apoiam.
Hoje sei que nasci assim, vou morrer assim e sou feliz desse jeito.

Não lembro de ter uma crush quando eu era criança...acho que foi a Cristiana Oliveira, na novela Pantanal. Mas não tenho certeza.

E pra quem quiser saber mais da Juliana, aqui está o twitter dela, o facebook e seu blog pessoal!

Da foto: tirei em 1998, quando eu tinha 10 anos. Tinha viajado pro Rio, e foi tirada num parque de diversões lá. A melhor viagem da minha vida, e foi a única vez que fui pro Rio de Janeiro. =/


Moro numa cidade que tem muitos homossexuais, mas a maioria é enrustida ou tem medo de lutar por seu espaço na sociedade. É uma cidade que julgam muito pelo que você é e pelo que você tem, sobretudo se você é homossexual. Aí vocês imaginam o ambiente que nasci.

Sempre fui paparicado pela minha família. Tive uma infância tranquila, até. Mas nunca fui muito de ter muitos amigos. Até porque ninguém iria falar com alguém gordo, dentuço, que usasse óculos e, porque não, homossexual. Sim, já dava pinta. E eu tinha meus complexos, né?

Curtia carros e essas coisas de menino, mas olhava com certo fascínio coisas de menina, como bonecas. Chegava até a desenhar roupas pra elas com uma prima que a considerava minha amiga (mas que parei de falar com ela porque achava que eu era gay. e tava certa, né? rs)

Na escola, eu tirava excelentes notas e fazia ótimos trabalhos. Sempre fui responsável nos estudos, e era um menino obediente. Entretanto, ninguém fazia questão de ser meu amigo, ninguém me chamava pras festinhas que meus colegas faziam. Sem levar em conta os xingamentos que eu ouvia. Era inadequado demais pro povo. E isso gerou uma insegurança em mim que propaga até hoje. Com o corpo, com o meu estilo de vestir, com tudo. (lembro até um dia que eu, aos 10 anos, pedi a minha mãe pra que eu fizesse uma cirurgia plástica pra eu ficar magro e bonito. Vai entender, né?)

Comecei a me tocar que era gay quando via os meninos dos colégios por onde estudei. Sempre queria conhecer o mais bonito, mas ele sempre tava ocupado demais falando com as meninas... E já tive uma quedinha pelos meus professores. O de natação e o de português, sobretudo... E eu pequeno, nunca entendia. Até ficar mais velho.

No Ensino Médio, mudei de colégio mais uma vez. Mudou os ares, ficou um clima melhor. Mas eu ainda sofria bullying dos novos colegas. Me xingavam de viado, etc. Eu ficava com medo, fugia. Eu fiz poucos amigos lá.

À medida que eu crescia, eu tentava de um tudo pagar de hétero. Cheguei até a namorar com uma garota, que é minha amiga até hoje (e não sabe, em tese). Foi um tipo de coisa que me arrependi em ter feito isso.

E quanto à família? Meu pai havia percebido do meu jeito, e conversava muito comigo pra eu ser mais homem (sic), pra eu falar grosso, pra não chamar meus pais de painho e mainha (cheguei até a apanhar por causa disso), e ele cogitava até em me levar em bordel pra ver se eu curtia. Tudo isso PRA EU SER HÉTERO. E enquanto isso, minha mãe fingia que nada acontecia.
Aos 17, muita coisa mudou. Me assumi pra alguns dos meus amigos, pros meus pais (meu pai soube quando viu alguns arquivos proibidos na minha pasta #RS)... O que houve destes anos pra cá não dá pra contar em um breve post.

Hoje em dia sou super de boa com a minha sexualidade, mas não converso sobre isso com meus pais porque eles não estão preparados pra isso (e talvez nunca fiquem, já que eles se preocupam mais pelo fato de estudar e ter um emprego bom logo que qualquer outra coisa).

E eu? Atualmente trabalho num órgão público, que entrei por meio do concurso, e tô terminando a minha faculdade de Direito. Entrei no Centro Acadêmico na minha faculdade e no DCE pra mostrar às pessoas que um gay é capaz de qualquer coisa (e servir de exemplo). Não preciso esconder a minha opção na faculdade. Não acabou a zoação, mas diminuiu bastante. Até levo na esportiva. A maioria dos meus amigos e dos meus colegas da faculdade sabem da minha condição (só não contei a três das minhas amigas porque são religiosas e tenho receio disso).

Acho que a Internet me ajudou muito a me salvar de alguma besteira que fosse fazer porque eu era gay. Foi bom conhecer pessoas que gostavam das mesmas coisas que eu, sobretudo as que moram daqui. Não estou só no mundo. Tem muitos que são gays como eu, gordos como eu, nerds como eu. E minha família nem desconfia. Minha mãe finge ainda que sou hétero. E meu pai sabe da minha situação, mas não comenta muito. Mas todo mundo sabe de mim. No final das contas, foi melhor assim.

Enfim, sou feliz como eu sou. I'm born this way: gay, negro, com problemas de peso, nordestino e nerd (jogo pokémon até hoje. =P)

Primeiro crush por famoso: conta por eu me apaixonar (ou achar bonitinho) o Jonatas Faro, que fazia o Samuca em Chiquititas? *____* Sou gamadinho por ele até hoje.

O twitter do Igor é este e o facebook é este.

Belo Horizonte, em algum lugar dos anos 80...

´
Não sei exatamente quantos anos eu tinha nessa foto, mas não eram mais de dois. Essa vaquinha ao meu lado é a Gertrudes, minha companheira nos primeiros anos de vida.

Eu sempre soube que havia algo de diferente comigo, mas tentava negar que houvesse e eu acreditava que minha negação me levaria a algum lugar. Levei muito bullying na escola e no colégio até que eu descobri que falar sacanagem e mexer com as meninas me defenderia disso. E deu certo!

Lá pelos 12, 13 anos comecei a sentir desejos por homens. Eu tinha fantasias com homens e prestei várias "homenagens" a eles. Mas quando acabava sentia uma certa culpa, mas pensava que era só uma fase, que eu iria conhecer uma menina boa, me casaria, teria filhos e viveria uma vida "normal". E assim foi durante muito tempo.

Aos 18 anos tive minha primeira experiência com homens. Até então nunca tinha feito sexo com ninguém, pois eu era muito travado e isso piorava ainda mais minha falta de jeito (uma das minhas características mais marcantes). Obviamente, as mulheres não se interessavam por mim. Ter beijado um homem me deu uma sensação de liberdade muito grande e também me deu muita coragem por fazer algo que desafiava as normas sociais existentes (coisa de adolescente que pensa que vai mudar o mundo). Com a internet pude ter outras experiências, mas a coisa era restrita ao sexo. Ainda pensava que encontraria uma menina e me casaria com ela.

Até que tive uma primeira paixãozinha por um homem. Eu tinha 19 anos e ele era um pouco mais velho, tinha 24. Depois disso eu percebi que sentimentos não tem gênero. E que se eu estava apaixonado por um homem, deveria levar isso em frente. A coisa com o rapaz não deu certo, mas pelo menos serviu pra me mostrar que o mundo gay não era somente sexo. Que era possível admirar um homem, gostar dele, querer estar com ele, fazer carinho, beijar e abraçar.

Aos poucos fui contando para os amigos. Meu maior medo era que eles se afastassem de mim ou que eles passassem a me ver como outra pessoa. Era muito inseguro. Porém, ao mesmo tempo em que fui me resolvendo com relação à sexualidade, fui me tornando também mais seguro. Alguns amigos se afastaram e não os condeno. Nossas cabeças passaram a pensar por caminhos diferentes. Em compensação, outros amigos se aproximaram muito mais e fiz bons amigos gays, que são muito importantes em minha vida.

Já era aceito pelos meus amigos, tinha um grande círculo de amigos gays e já estava com meu primeiro namorado. Mas uma coisa ainda me incomodava: minha família ainda não sabia. Ou pelo menos eu pensava que não sabiam. Na verdade, minha mãe (uma pessoa iluminada, de cabeça aberta e com uma visão muito ampla) já sabia que eu era gay, que eu namorava e reuniu toda a família (meu pai e minhas duas irmãs) preparando o terreno.

Um belo dia, num dos inúmeros términos desse primeiro namoro, num daqueles momentos em que só se quer chorar e ouvir músicas tristes, minha mãe entrou em meu quarto e perguntou na lata: "Você e o fulano terminaram?". Eu, aos prantos, me deitei em seu colo e ela me fez cafuné e falou muito sobre o fim do primeiro amor e sobre os próximos que viriam.

Tive muita sorte de ser aceito pela minha família e meus amigos. Meu ex-namorado frequentava os almoços de domingo aqui em casa, podia dormir em meu quarto comigo e o fato de ele ser um homem nunca importou aqui em casa. Sei de casos (desumanos) em que a família rejeita o filho gay ou prefere que esse assunto seja um tabu em casa. Hoje não escondo de ninguém minha sexualidade. Não participo de nenhum movimento organizado de militância, mas defendo as causas gays, acho importante que isso seja discutido e tento, no que está ao meu alcance, mostrar que ser gay é normal. Que não muda quem você é, o que você faz e o que você sente. O amor é sempre o mesmo e não tem cor, credo, raça, gênero ou orientação sexual.

Meu primeiro crush foi o ator Leonardo Brício, na novela Renascer. Eu tinha 10 anos e sentia uma coisa engraçada por ele, que na época eu não sabia explicar o que era.

Pablo Moreno Fernandes Viana, 28 anos. Publicitário. Belo Horizonte - MG.



O twitter do Pablo é este, e o Facebook é este.


Nessa foto foi em um natal na casa da minha avó, 1974, eu tinha dois anos. Dá pra perceber que minha mãe era costureira, pois meu irmão mais velho e eu parecemos uma par de vasos! Essa roupa no mínimo era vermelha, sempre tive paixão por esta cor.

A lembrança mais antiga que tenho sobre minha sexualidade é exatamente nessa época, minha tia tinha dois amigos e duas amigas que tinham por volta de uns 18 anos, lembro-me bem que as moças eram apelidadas de Branca e Preta e os caras eram João e Zé, e como todo jovem adoravam brincar com crianças pequenas jogando pra cima e rodando. Eu tinha um afeto especial por um dos caras, nada sexual, mas gostava muito de um deles, lembro vagamente de seu rosto... Quanto às moças, lembro-me que quando elas tomavam banho na casa da minha avó amarravam a toalha na cabeça e lembro que minha mãe fazia isso na nossa cabeça também e dizia “Olha igual a BRANCA faz!”. E quem nunca brincou com a toalha amarrando na cabeça ou criando altos modelos de vestidos? Eu mesmo em minha adolescência quase me tornei um estilista, baseado em toalhas e lençóis. Hahahaha

Minha mãe tinha uma boneca muito interessante, que ela nomeou de Rickelly - olhem que nome de Drag! - era uma astronauta e tinha um capacete que escondia três feições, o rosto dela girava mostrando as expressões feliz, chorando e dormindo. Todos os meus primos e primas adoravam aquela boneca e todo mundo brincava com aquela coisa, hoje imagino que a ela seria uma REAGAN, mas era linda! Porém, eu não me interessava pela boneca e sempre quis brinquedos de moleque mesmo, como caminhãozinho de gás, betoneira, carro de bombeiro e fiquei doido por causa de um caminhãozinho de mudança da Granero por causa de uma propaganda, até quando ganhei um genérico. Desde bebê eu tinha um Jerry do Tom e Jerry que eu adorava e minha mãe dizia q eu tinha olhos de Jerrynho, pois tinha uma expressão tristonha. Acreditam que aos cinco anos esqueci o brinquedo no quintal e me roubaram? Fiquei doente e minha mãe vasculhou a cidade pra comprar outro, foi até em Aparecida do Norte e nada. Que #trauma!

Outra lembrança que tenho da minha infância é sobre minha família, que era extremamente religiosa, ao ponto de vestir-nos de anjinhos para as procissões e quando eu tinha seis anos perguntei pra minha tia se animais como veados iam pro inferno, já tava encucado porque achei que ia me tornar um! Que vergonha! haha

Eu tinha uma vontade doida de ser artista por causa da Nikka Costa e do Pedrinho da primeira versão do Sitio do Pica Pau Amarelo, se eles eram crianças e eram artistas, eu também poderia ser! Claro que sofri na escola por ser diferente e detestar futebol, mas nada que poderia ser chamado de bullying. Na adolescência também não sofri muito, pois desde moleque sempre tive inclinação para brincadeiras de meninos e brincava de policia e ladrão, paia ou chumbo, figurinha, etc...

Fui apaixonado por uma garota quando tinha 15 anos e acho q foi a única mulher que amei de verdade, amor juvenil.
Nos empregos sempre tive trabalhos masculinos, desde frentista a auxiliar de mecânico e queria muito ser policial ou bombeiro. Minha briga com a familia começou aos 17 para 18 anos quando entrei em um curso de teatro, foi como se assinasse o atestado de Gay! Virei assunto na família e os primos todos casando e eu ficando. Assim, como sempre gostei de coisas masculinas, acabei por me alistar no Tiro de Guerra e eu queria fazer carreira no Exército, o que era difícil, pois em minha cidade só tem o Tiro de Guerra. No primeiro dia, eu, muito lesado, ainda mais sendo o primeiro da fila consegui ficar fora do alinhamento e o cara de trás me segurou pelos ombros e disse “Tá fora de forma guerreiro!” Quando olhei pra trás meu mundo caiu e claro, me apaixonei na hora. Lembram-se do cara da minha infância? O João ou Zé? Então, esse se parecia muito! COMO SOFRI! E acabamos por nos tornar grandes amigos e com o tempo fui conseguindo conciliar o sentimento com amizade, mas lá no fundo ainda resta uma coisa mal resolvida e ainda me tremem as pernas quando o vejo.

Um amigo do Tiro de Guerra mais desencanado com isso me perguntou na época sobre minha sexualidade, neguei mil vezes até que ele se declarou, assim aquele trauma de ser o único do mundo passou e fui me aceitando e me tornando cada dia mais feliz assim.
Hoje eu declaro que se tiver outra encarnação quero voltar do mesmo jeito que sou, pois não saberia ser de outro jeito.
Hoje sou ator há 21 anos, extremamente feliz sendo o que sou em todos os sentidos, gosto de ser e defendo quem é!


- Primeiro crush por famoso: o primeiro foi o Roy da Boyband MENUDO!

Rio de Janeiro, 1990

Nessa foto eu tinha uns 2 anos, na casa dos meus avós em Botafogo - RJ. No chão tem os carrinhos que eu ganhava, mas não ligava. O tecido vermelho, atrás, é o robe de veludo da minha avó que eu vivia roubando. Até hoje eu adoro vermelho.

Eu tenho dois irmãos mais velhos, surfistas, que faziam tudo que garotos fazem: futebol, Karatê, correr atras das meninas. Eu era o caçula que ficava no quarto brincando com legos e lendo livros. Eu aprendi a lutar Karatê e foi um alívio por que eu era pequeno, magro e o bullying começou cedo. Eu só não apanhava mais por que meus irmãos me defendiam, mas tirando isso eu tive uma infância legal. Pegando onda no Posto 10 no Recreio, andando de bicicleta e levando os estudos mais a sério que meus irmãos (hihi).

Eu sempre gostei dos meninos e sempre olhei pra eles e não para as meninas, mas só me dei conta de verdade disso aos 13 anos. Meu irmão tinha um amigo surfista que ia muito lá em casa para tomar banho de piscina. Foi olhando para ele na piscina que eu fiquei excitado pela primeira vez. Eu não queria ser gay, minha família era religiosa e eu sempre ouvi que gays vão pro inferno e o inferno não era um lugar legal. Eu fui a igreja querendo que Deus me tornasse hétero e eu não entendia por que ele tinha me feito gay e agora queria que eu mudasse. Me afastei da igreja e enquanto meus irmãos eram batizados eu inventava desculpas e dores de barriga para não ir.

Aos 17 a coisa estava insuportável. Meus irmãos tinham ido pra faculdade e sem eles pra me defender eu virei saco de pancadas na escola e alvo de todas as brincadeiras de mau gosto. Eu fiquei tão assustado que contei pra minha mãe. Ela disse que já sabia e a gente chorou abraçado. Eu pedi que ela não contasse pro meu pai, por que eu morria de medo que ele nunca fosse aceitar. Um vizinho que estudava comigo ouviu quando eu contei pra uma amiga da escola que eu tinha falado com minha mãe e espalhou pra vizinhança inteira.

Meu irmão mais velho decidiu que eu ia "virar homem" nem que fosse na porrada. Ele me provocava o tempo todo e várias vezes a gente quase brigou fisicamente. Meu pai ficou meses sem saber o que fazer comigo, a gente nem conseguia ficar no mesmo ambiente. Eu tinha medo que aquilo nunca fosse passar e várias vezes me arrependi de ter contado. Minha mãe foi quem ficou do meu lado desde o início e não deixou que a coisa ficasse pior. Levou uns 2 anos pra que eu e o Lipe voltássemos as boas e só esse ano, quase 6 anos depois é que a gente conseguiu conversar de verdade e zerar tudo aquilo.

Aos poucos as coisas se acertaram. Eu arrumei um namorado, meu pai descobriu que eu ainda era a mesma pessoa, minha mãe virou ativista e eu fiz as pazes comigo e pude ser eu mesmo. Eu tenho sorte. Hoje eu posso viver minha homossexualidade sem perder minha família como tantos meninos por ai. E aprendi a ter orgulho do que eu sou: quase advogado, surfista e gay.

- Primeiro Crush de Famoso: Leonardo DiCaprio em Prenda-me se for capaz. assisti umas 200 vezes.


Twitter @LucasB9

Tudo começou com 2 anos quando eu disse aos meus pais, "quero fazer ballet". Eles não entenderam e acharam que aquilo se devia ao fato de ter acabado de assistir o Quebra Nozes na TV as duas da manhã. Minha mãe não acreditava que eu ficaria acordado até aquela hora só pra ver um espetaculo de ballet e isso foi só o começo... Com três anos e já com um irmão que eu detestava, pois havia tirado meu posto de filho único eu pedi uma Barbie de aniversário, meus pais mais uma vez surpresos me levaram a uma psicologa que disse que isso era normal e que crianças se interessavm por brinquedos e não brinquedos de meninas ou brinquedo de menino.

Gabriel correndo serelepe pela Praça Antônio com seu pai ao fundo, em Poços de Caldas, 1991.

E foi assim durante um bom tempo, eu era uma criança, não era considerado nem menino nem menina.
O tempo foi passando e eu crescendo e cada vez mais delicado era muito bom aluno na escola, o que me gerava inumeras amizades, deixei o cabelo crescer e era muitas vezes confundido com uma menina. Com oito anos eu ainda não havia desistido de fazer ballet, e meu pai um dia me levou à minha primeira aula de ballet, era como se eu tivesse nascido pr'aquilo! Nunca me senti tão bem num lugar fazendo alguma coisa como eu me senti na minha primeira aula de ballet.
Aos dez anos e eu só tinha amigas e a cada dia eu tinha menos contatos com meninos, eu já tinha certeza de que era gay e nunca tive problemas com isso, sempre admirei homens bonitos e ficava encantado com eles. Com quinze tive meu primeiro namorado e minha mãe descobriu, ela foi super compreensivel e disse que acima de tudo eu ainda era seu filho e a aceitação aqui em casa foi uma coisa boa e tranquila, nunca sofri preconceito por parte de familia e amigos. Hoje com 23 anos parei de dançar a 2 anos e depois de uma carreira muito boa no Ballet Clássico sigo outros rumos na minha vida, mas ainda dentro da Arte!

- Crush por famoso: Eu nunca tive nenhum crush por famoso quando era mais novo, Ah, mentira! Tive sim! O Junior Lima na época do seriado Sandy e Júnior! =X

Twitter: @Bee_el
Facebook: http://www.facebook.com/BieoO

Em algum lugar do Brasil, 1994 ou 95 quem sabe 96.

Meu nome é Esther, nasci em 1989 em São Paulo. Infelizmente essa é a única foto que achei e não tenho uma data exata, muito menos de onde foi tirada. Sei que foi em alguma das viagens que fiz com meus avós, e tô com cara de uns 5 ou 7 anos.

Sempre gostei muito de brincar de Barbie. Não saía do mercado enquanto meus pais não me dessem a porra da boneca loira. Quando ganhei a casa da Barbie da Fada do Dente na Páscoa num embrulho verde do Mappin (gente, criança é um ser tão inocente) foi que realmente começou a festa. Demorei muito pra ganhar um Ken, mas quando ganhei... Ele saía pra trabalhar e a minha Barbie fazia a festa com suas amiguinhas. Sim, elas se pegavam. Era a parte que eu mais gostava. Aliás, me excitava.
Mas a grande verdade é que só fui começar a descobrir quem eu realmente era nos meados dos meus 10, 11 anos, quando "perdia" mais tempo observando as meninas que os meninos, e sempre com sentimento de culpa. Lembro de como ficava pensando "Não, não sou sapatão". É meio trash, mas o que falar pra uma menina com essa idade que cresceu ouvindo muitas críticas sobre homossexuais e negros? Passei a maior parte da minha infância na casa dos meus avós, faz sentido afinal. Não que eu ache que justifique, mas hoje eu - e penso que muita gente - compreende que para pessoas mais velhas, que tiveram uma criação dura, é muito mais difícil aceitar do que para nossos pais, por exemplo. E tem mais um fator: meu avô é a pessoa mais querida, decepcioná-lo não está nos meus planos. E olha que meu avô aceita muita merda de mim, mas essa eu tenho medo. Enfim.
Acho que se não tivesse conhecido os amigos que tenho, não teria saído do armário tão cedo. Quando você conhece pessoas que já estão dentro desse mundo, as coisas se tornam muito mais fáceis, não parece um bicho de sete cabeças e as dúvidas vão sendo explicadas. Lembro que foram muitas investidas até eu realmente ceder ao meu primeiro beijo lésbico, mas que foi um alívio tão grande perceber que, antes de ser uma mulher, era uma pessoa, uma pessoa como todas as outras milhares que existem no mundo. Isso aconteceu quando eu tinha 14 anos.
A minha felicidade era tanta que, gente, foi uma imbecilidade o que eu fiz, mas ok. Sempre sofri bullying a partir do momento que troquei de escola. Eu era a gorda, a nariguda... Aprendi a lidar com isso, até sinto saudades, pra ser sincera, mas a minha imbecilidade aconteceu no último colégio que estudei. A felicidade era tanta que acabei me assumindo e, paredes tem ouvidos e eu falo alto, então as meninas achavam que só porque tinha beijado uma menina, eu queria traçar todas elas. Ok, barangas, nunca tive vontade, engulam essa e não se achem muito da próxima vez. De qualquer forma, lidei bem com isso, já era da turma dos excluídos e sou da opinião de que é amigo meu quem quer, goste de mim como sou.
Da família, me assumi primeiro para meu tio, em seguida para meu irmão mais velho (e no dia que me assumi minha mãe ouviu, mas nada mudou, eu sabia que ela sabia, ela sabia que eu sabia, e fingíamos que não estava acontecendo nada). Já beijei uma menina na frente do meu irmão mais velho e foi tranqüilo. O problema maior foi meu irmão mais novo que, na época que namorava uma menina, resolveu começar a forçar a barra nas piadinhas, e minha mãe, diva, simplesmente disse "Se você não gosta, saia de casa, seu irmão e eu não temos problemas com isso". Eu comecei a trocar idéias com a minha mãe sobre isso quando namorava essa menina, ela chegou a vir em casa, e minha mãe super relax. Não posso reclamar, foi uma saída de armário sem muitos dramas.

- Primeiro Crush por pessoa famosa: Tchans, minha primeira paixão do mesmo sexo, vou ser franca, me apaixono mais por personagens do que por pessoas. Amava a Tomoyo, de Sakura Card Captors.

Twitter: @stheh


"Acredito que todo adolescente gay já deve ter pensado sobre suicídio. Eu sei que eu já. Por causa da minha educação, cresci achando que ser gay era errado e que minha única saída era me casar e ter filhos. Antes de dormir, rezava e pedia a Deus que ao acordar, começasse a gostar de meninas, como um toque de mágica. Me considerava um pervertido, não entendia que o desejo por meninos já nascera em mim. Meu pai gritava para que eu engrossasse a voz. Eu tentava, mas as vezes não conseguia. Porque eu precisava falar como um adulto? Tinha só 6 anos. Minha adolescência foi pior, pois todos os meus amigos começavam a namorar. Eu tinha certeza de que encontraria uma garota que me mudaria e me transformaria em heterossexual. Nunca aconteceu. E minha tristeza só aumentava. E só queria morrer e parar se sofrer. Comecei a gostar do meu melhor amigo. Namorava uma garota, mas ainda amava meu amigo. A dor que o desentendimento causa num adolescente é dilacerante. E antigamente, a possibilidade de me aceitar aos 16 anos era incompreensível.


Deus sabe onde, 1983 (6 anos)


De repente, saí da escola e conheci outras pessoas. Já não via mais meu amigo, e assim, aos poucos ele se foi do meu coração. Os anos se passaram e quando fiz 23 anos, resolvi ter uma conversa comigo mesmo...Foi o outro Wanderson quem me ouviu dizer aquelas palavras pela primeira vez: Eu sou gay. Aquele do espelho. Eu sorri. E ele retribuiu. E me senti mais leve. Fui então contando para os amigos. E cada vez mais, me sentia melhor. E de repente surgiu essa nova pessoa.
Mais realizada. Porém em casa as coisas continuavam. Contaram à minha mãe que eu era gay. E seu filho preferido não era mais preferido. E ela se afastou. Minha irmã descobriu uma carta de amor que escrevi para outro homem e me censurou. Resolvi então contar tudo ao meu irmão, que no começo estranhou, mas tentou entender. Afinal, ele ainda era um adolescente. E fui descobrindo um mundo que eu não conhecia. Outros amigos que eram felizes com sua sexualidade. E me entreguei completamente para um relacionamento com outro homem pela primeira vez. E como todos os relacionamentos, tivemos altos e baixos até
culminar num término. Mas amadureci até conhecer Alexandre. E foi ele quem me ensinou sobre orgulho e não ter medo de ser quem sou. E hoje, minha mãe me olha de outra forma. Como alguém que também construiu sua família. Foi difícil, mas recompensador. E meu irmão e irmã são mais companheiros do que outrora.
Hoje, aos 34 anos, não queria ser nada mais, além de gay. Acredito que tudo o que eu construi, as pessoas que estão na minha vida e as que já foram embora e os obstáculos pelos quais passei me fizeram um homem melhor. Portanto, digo a todos, as coisas melhoram... e MUITO."

Primeiro crush do mesmo sexo: Richard Chamberlain (em 'Pássaros Feridos')

Facebook do Wanderson.
E seu Blog.



Wanderson hoje em dia.

Rio Grande do Sul, 1989

Olá! Meu nome é André, nasci em 1982 numa cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, onde moro até hoje. A foto que envio é datada de 1989, ano em que eu estava na 1ª série. Devia ter uns 7 anos.

Sempre me senti diferente dos outros meninos. Nunca gostei de brincar com estilingue, jogar bola e outras brincadeiras típicas masculinas.

Gostava mesmo era de ficar no meu quarto, olhando televisão e cultivando a minha grande paixão pelos livros, revistas e histórias em quadrinhos. Gostava de jogos como jogo da memória, damas, caça-palavras (sabe aquelas revistinhas Coquetel?), roleta...

Fui um ótimo aluno - com exceção da Educação Física - e tinha boas notas. Levava a sério os estudos mesmo.

Lembro que na 2ª série, tinha um coleguinha chamado Hilton, que já me chamava a atenção. Talvez, meu primeiro amor não correspondido.

Desde cedo fui alvo de gracejos: mariquinha, mulherzinha, bichinha e afins. Eu ficava muito chateado e cada vez mais me recolhendo, cada vez mais tímido e inseguro... Me sentia mal por não ser igual aos outros guris da vizinhança.

Quando era obrigado a jogar futebol, me sentia humilhado. Várias vezes me escondi no banheiro da escola para me poupar desses momentos.

Meus pai notavam que eu era diferente e me orientavam a "agir como homem". Isso foi causando um distanciamento entre nós. Da parte do meu pai, muitas vezes, eu percebia rejeição. Da minha mãe eu era mais próximo.

A leitura de livros e histórias em quadrinhos era meu refúgio naquele mundo sem internet. Tornei-me frequentador assíduo da biblioteca pública. Meus pais não compravam livros. Na cabeça deles, era desperdiçar dinheiro. Hoje em dia, até que meu relacionamento com eles é razoável, tanto que ainda moro com meus pais.

A adolescência foi uma fase complicada em relação à sexualidade também. Nem vou entrar em detalhes. Só fui me resolver mesmo, depois dos 20 anos.

Dizem que tudo na vida tem um lado bom e um ruim. Talvez seja. Quase toda a minha vida acadêmica foi direcionada para a leitura, inclusive, uma das minhas monografias foi sobre os quadrinhos e a formação de leitores.

- Crush por famoso:
Até hoje lembro de uma foto que vi do Vitor Fasano sem camisa numa revista Contigo da minha mãe que me deixou encantado (risos). Nossa, eu deveria ter uns 9 anos e peitorais masculinos já me chamavam atenção. Lembro também que não perdia a novela Vamp.

Email: interior1982@gmail.com

Ilhéus, 1991

Essa foto foi tirada em 1991, devia ter uns 3 anos ou o ano deveria ser 1991 já que a pessoa tem ou não 3 anos.

Eu não tenho muitas fotos de quando era pequeno, pq minha mãe era hippie e meu pai maconheiro que me dava semente da dita cuja pra comer. Eu inclusive adorava, mas minha mãe ficava meio puta com isso, então ele me chamava nos cantos e me dava as sementinhas e eu comia escondido de minha mãe. Ao menos não era carne, já que como boa hippie, minha mãe era vegetariana e eu fui criado à base de papinha de cenoura e tofú.

Era super moderno como vocês podem ver, usava wayfarer antes de vocês virarem restart, usava maquiagem – fetiche por negão – e já era possuído pelo ritmo ragatanga, dançava aserehe ra de re de hebe tu de hebere seibiunouba mahabi an de bugui an de buididipi antes de existir rouge. Como vocês podem ver... um revolucionário.

Na época dessa foto, morávamos em Ilhéus, onde eu nasci. Depois – seguindo os instintos hippies de novo – minha mãe se mudou para Trancoso (nessa época ela já raspava o suvaco) e mais tarde pra uma cidade chamada Piatã, 22 mil habitantes no interior... beeeeeeeeeeeeeem interior aqui na Bahia. FUDEU. Foi feita minha desgraça.

Interior geralmente só tem um viado, aquele afetado que provavelmente trabalha em algum salão que tem os cabelos cacheados compridos e sobrancelhas bem feitas, fora isso, ninguém é gay.

Então eu era o menino viadinho da escola que não pegava as menininhas nas festas. Fiz uma grande amiga lá e foi assim até o fim dos meus dias por lá, que se deu no começo de 2004, voltei pra ilhéus, fiquei dois anos e fui morar em SALVADOR.

Daí as coisas foram acontecendo naturalmente, eu quando cheguei lá não ficava com meninos e nem meninas, era meio assexuado.

No ápice dos meus 17 anos, uma amiga me disse: Lucas tá afim de você, e PLIM, tudo fez sentido. Não fiquei com o Lucas, mas sim com o Rafael e transei com o Thiago, tudo em uma semana, na primeira semana.

Liguei pra minha mãe no outro dia, e falei: “mãe, fiquei com um homem” ela: “usou camisinha?”. E daí fomos convivendo com isso, ela é ótima, minha família toda sabe e não debatem isso, não comigo ao menos, mas respeitam muito. Meu pai – hoje separado de minha mãe – finge que não sabe. Meu último namorado vinha para minha casa, dormíamos no mesmo quarto com uma cama de casal e a família procurou se acostumar com isso,

espero que seja daí pra melhor até o fim dos dias, amém.

..................................

- Primeiro Crush Famoso: Não sei bem se vale, mas eu era fã de um ator de uma fotonovela pornô que eu tinha, foi o primeiro homem de minha vida, mas entre os famosos, o primeiro e rola até hoje, foi Robbie Williams (rezava pra aquela câmera maldita deixar eu ver algo no clipe de Rock Dj) e depois veio a fase Johnny Depp.

Facebook: http://www.facebook.com/ravelbrasileiro

Twitter: http://twitter.com/#!/po_ravel

Email: ravobr@gmail.com