Belo Horizonte, em algum lugar dos anos 80...

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Não sei exatamente quantos anos eu tinha nessa foto, mas não eram mais de dois. Essa vaquinha ao meu lado é a Gertrudes, minha companheira nos primeiros anos de vida.

Eu sempre soube que havia algo de diferente comigo, mas tentava negar que houvesse e eu acreditava que minha negação me levaria a algum lugar. Levei muito bullying na escola e no colégio até que eu descobri que falar sacanagem e mexer com as meninas me defenderia disso. E deu certo!

Lá pelos 12, 13 anos comecei a sentir desejos por homens. Eu tinha fantasias com homens e prestei várias "homenagens" a eles. Mas quando acabava sentia uma certa culpa, mas pensava que era só uma fase, que eu iria conhecer uma menina boa, me casaria, teria filhos e viveria uma vida "normal". E assim foi durante muito tempo.

Aos 18 anos tive minha primeira experiência com homens. Até então nunca tinha feito sexo com ninguém, pois eu era muito travado e isso piorava ainda mais minha falta de jeito (uma das minhas características mais marcantes). Obviamente, as mulheres não se interessavam por mim. Ter beijado um homem me deu uma sensação de liberdade muito grande e também me deu muita coragem por fazer algo que desafiava as normas sociais existentes (coisa de adolescente que pensa que vai mudar o mundo). Com a internet pude ter outras experiências, mas a coisa era restrita ao sexo. Ainda pensava que encontraria uma menina e me casaria com ela.

Até que tive uma primeira paixãozinha por um homem. Eu tinha 19 anos e ele era um pouco mais velho, tinha 24. Depois disso eu percebi que sentimentos não tem gênero. E que se eu estava apaixonado por um homem, deveria levar isso em frente. A coisa com o rapaz não deu certo, mas pelo menos serviu pra me mostrar que o mundo gay não era somente sexo. Que era possível admirar um homem, gostar dele, querer estar com ele, fazer carinho, beijar e abraçar.

Aos poucos fui contando para os amigos. Meu maior medo era que eles se afastassem de mim ou que eles passassem a me ver como outra pessoa. Era muito inseguro. Porém, ao mesmo tempo em que fui me resolvendo com relação à sexualidade, fui me tornando também mais seguro. Alguns amigos se afastaram e não os condeno. Nossas cabeças passaram a pensar por caminhos diferentes. Em compensação, outros amigos se aproximaram muito mais e fiz bons amigos gays, que são muito importantes em minha vida.

Já era aceito pelos meus amigos, tinha um grande círculo de amigos gays e já estava com meu primeiro namorado. Mas uma coisa ainda me incomodava: minha família ainda não sabia. Ou pelo menos eu pensava que não sabiam. Na verdade, minha mãe (uma pessoa iluminada, de cabeça aberta e com uma visão muito ampla) já sabia que eu era gay, que eu namorava e reuniu toda a família (meu pai e minhas duas irmãs) preparando o terreno.

Um belo dia, num dos inúmeros términos desse primeiro namoro, num daqueles momentos em que só se quer chorar e ouvir músicas tristes, minha mãe entrou em meu quarto e perguntou na lata: "Você e o fulano terminaram?". Eu, aos prantos, me deitei em seu colo e ela me fez cafuné e falou muito sobre o fim do primeiro amor e sobre os próximos que viriam.

Tive muita sorte de ser aceito pela minha família e meus amigos. Meu ex-namorado frequentava os almoços de domingo aqui em casa, podia dormir em meu quarto comigo e o fato de ele ser um homem nunca importou aqui em casa. Sei de casos (desumanos) em que a família rejeita o filho gay ou prefere que esse assunto seja um tabu em casa. Hoje não escondo de ninguém minha sexualidade. Não participo de nenhum movimento organizado de militância, mas defendo as causas gays, acho importante que isso seja discutido e tento, no que está ao meu alcance, mostrar que ser gay é normal. Que não muda quem você é, o que você faz e o que você sente. O amor é sempre o mesmo e não tem cor, credo, raça, gênero ou orientação sexual.

Meu primeiro crush foi o ator Leonardo Brício, na novela Renascer. Eu tinha 10 anos e sentia uma coisa engraçada por ele, que na época eu não sabia explicar o que era.

Pablo Moreno Fernandes Viana, 28 anos. Publicitário. Belo Horizonte - MG.



O twitter do Pablo é este, e o Facebook é este.


Nessa foto foi em um natal na casa da minha avó, 1974, eu tinha dois anos. Dá pra perceber que minha mãe era costureira, pois meu irmão mais velho e eu parecemos uma par de vasos! Essa roupa no mínimo era vermelha, sempre tive paixão por esta cor.

A lembrança mais antiga que tenho sobre minha sexualidade é exatamente nessa época, minha tia tinha dois amigos e duas amigas que tinham por volta de uns 18 anos, lembro-me bem que as moças eram apelidadas de Branca e Preta e os caras eram João e Zé, e como todo jovem adoravam brincar com crianças pequenas jogando pra cima e rodando. Eu tinha um afeto especial por um dos caras, nada sexual, mas gostava muito de um deles, lembro vagamente de seu rosto... Quanto às moças, lembro-me que quando elas tomavam banho na casa da minha avó amarravam a toalha na cabeça e lembro que minha mãe fazia isso na nossa cabeça também e dizia “Olha igual a BRANCA faz!”. E quem nunca brincou com a toalha amarrando na cabeça ou criando altos modelos de vestidos? Eu mesmo em minha adolescência quase me tornei um estilista, baseado em toalhas e lençóis. Hahahaha

Minha mãe tinha uma boneca muito interessante, que ela nomeou de Rickelly - olhem que nome de Drag! - era uma astronauta e tinha um capacete que escondia três feições, o rosto dela girava mostrando as expressões feliz, chorando e dormindo. Todos os meus primos e primas adoravam aquela boneca e todo mundo brincava com aquela coisa, hoje imagino que a ela seria uma REAGAN, mas era linda! Porém, eu não me interessava pela boneca e sempre quis brinquedos de moleque mesmo, como caminhãozinho de gás, betoneira, carro de bombeiro e fiquei doido por causa de um caminhãozinho de mudança da Granero por causa de uma propaganda, até quando ganhei um genérico. Desde bebê eu tinha um Jerry do Tom e Jerry que eu adorava e minha mãe dizia q eu tinha olhos de Jerrynho, pois tinha uma expressão tristonha. Acreditam que aos cinco anos esqueci o brinquedo no quintal e me roubaram? Fiquei doente e minha mãe vasculhou a cidade pra comprar outro, foi até em Aparecida do Norte e nada. Que #trauma!

Outra lembrança que tenho da minha infância é sobre minha família, que era extremamente religiosa, ao ponto de vestir-nos de anjinhos para as procissões e quando eu tinha seis anos perguntei pra minha tia se animais como veados iam pro inferno, já tava encucado porque achei que ia me tornar um! Que vergonha! haha

Eu tinha uma vontade doida de ser artista por causa da Nikka Costa e do Pedrinho da primeira versão do Sitio do Pica Pau Amarelo, se eles eram crianças e eram artistas, eu também poderia ser! Claro que sofri na escola por ser diferente e detestar futebol, mas nada que poderia ser chamado de bullying. Na adolescência também não sofri muito, pois desde moleque sempre tive inclinação para brincadeiras de meninos e brincava de policia e ladrão, paia ou chumbo, figurinha, etc...

Fui apaixonado por uma garota quando tinha 15 anos e acho q foi a única mulher que amei de verdade, amor juvenil.
Nos empregos sempre tive trabalhos masculinos, desde frentista a auxiliar de mecânico e queria muito ser policial ou bombeiro. Minha briga com a familia começou aos 17 para 18 anos quando entrei em um curso de teatro, foi como se assinasse o atestado de Gay! Virei assunto na família e os primos todos casando e eu ficando. Assim, como sempre gostei de coisas masculinas, acabei por me alistar no Tiro de Guerra e eu queria fazer carreira no Exército, o que era difícil, pois em minha cidade só tem o Tiro de Guerra. No primeiro dia, eu, muito lesado, ainda mais sendo o primeiro da fila consegui ficar fora do alinhamento e o cara de trás me segurou pelos ombros e disse “Tá fora de forma guerreiro!” Quando olhei pra trás meu mundo caiu e claro, me apaixonei na hora. Lembram-se do cara da minha infância? O João ou Zé? Então, esse se parecia muito! COMO SOFRI! E acabamos por nos tornar grandes amigos e com o tempo fui conseguindo conciliar o sentimento com amizade, mas lá no fundo ainda resta uma coisa mal resolvida e ainda me tremem as pernas quando o vejo.

Um amigo do Tiro de Guerra mais desencanado com isso me perguntou na época sobre minha sexualidade, neguei mil vezes até que ele se declarou, assim aquele trauma de ser o único do mundo passou e fui me aceitando e me tornando cada dia mais feliz assim.
Hoje eu declaro que se tiver outra encarnação quero voltar do mesmo jeito que sou, pois não saberia ser de outro jeito.
Hoje sou ator há 21 anos, extremamente feliz sendo o que sou em todos os sentidos, gosto de ser e defendo quem é!


- Primeiro crush por famoso: o primeiro foi o Roy da Boyband MENUDO!

Rio de Janeiro, 1990

Nessa foto eu tinha uns 2 anos, na casa dos meus avós em Botafogo - RJ. No chão tem os carrinhos que eu ganhava, mas não ligava. O tecido vermelho, atrás, é o robe de veludo da minha avó que eu vivia roubando. Até hoje eu adoro vermelho.

Eu tenho dois irmãos mais velhos, surfistas, que faziam tudo que garotos fazem: futebol, Karatê, correr atras das meninas. Eu era o caçula que ficava no quarto brincando com legos e lendo livros. Eu aprendi a lutar Karatê e foi um alívio por que eu era pequeno, magro e o bullying começou cedo. Eu só não apanhava mais por que meus irmãos me defendiam, mas tirando isso eu tive uma infância legal. Pegando onda no Posto 10 no Recreio, andando de bicicleta e levando os estudos mais a sério que meus irmãos (hihi).

Eu sempre gostei dos meninos e sempre olhei pra eles e não para as meninas, mas só me dei conta de verdade disso aos 13 anos. Meu irmão tinha um amigo surfista que ia muito lá em casa para tomar banho de piscina. Foi olhando para ele na piscina que eu fiquei excitado pela primeira vez. Eu não queria ser gay, minha família era religiosa e eu sempre ouvi que gays vão pro inferno e o inferno não era um lugar legal. Eu fui a igreja querendo que Deus me tornasse hétero e eu não entendia por que ele tinha me feito gay e agora queria que eu mudasse. Me afastei da igreja e enquanto meus irmãos eram batizados eu inventava desculpas e dores de barriga para não ir.

Aos 17 a coisa estava insuportável. Meus irmãos tinham ido pra faculdade e sem eles pra me defender eu virei saco de pancadas na escola e alvo de todas as brincadeiras de mau gosto. Eu fiquei tão assustado que contei pra minha mãe. Ela disse que já sabia e a gente chorou abraçado. Eu pedi que ela não contasse pro meu pai, por que eu morria de medo que ele nunca fosse aceitar. Um vizinho que estudava comigo ouviu quando eu contei pra uma amiga da escola que eu tinha falado com minha mãe e espalhou pra vizinhança inteira.

Meu irmão mais velho decidiu que eu ia "virar homem" nem que fosse na porrada. Ele me provocava o tempo todo e várias vezes a gente quase brigou fisicamente. Meu pai ficou meses sem saber o que fazer comigo, a gente nem conseguia ficar no mesmo ambiente. Eu tinha medo que aquilo nunca fosse passar e várias vezes me arrependi de ter contado. Minha mãe foi quem ficou do meu lado desde o início e não deixou que a coisa ficasse pior. Levou uns 2 anos pra que eu e o Lipe voltássemos as boas e só esse ano, quase 6 anos depois é que a gente conseguiu conversar de verdade e zerar tudo aquilo.

Aos poucos as coisas se acertaram. Eu arrumei um namorado, meu pai descobriu que eu ainda era a mesma pessoa, minha mãe virou ativista e eu fiz as pazes comigo e pude ser eu mesmo. Eu tenho sorte. Hoje eu posso viver minha homossexualidade sem perder minha família como tantos meninos por ai. E aprendi a ter orgulho do que eu sou: quase advogado, surfista e gay.

- Primeiro Crush de Famoso: Leonardo DiCaprio em Prenda-me se for capaz. assisti umas 200 vezes.


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Tudo começou com 2 anos quando eu disse aos meus pais, "quero fazer ballet". Eles não entenderam e acharam que aquilo se devia ao fato de ter acabado de assistir o Quebra Nozes na TV as duas da manhã. Minha mãe não acreditava que eu ficaria acordado até aquela hora só pra ver um espetaculo de ballet e isso foi só o começo... Com três anos e já com um irmão que eu detestava, pois havia tirado meu posto de filho único eu pedi uma Barbie de aniversário, meus pais mais uma vez surpresos me levaram a uma psicologa que disse que isso era normal e que crianças se interessavm por brinquedos e não brinquedos de meninas ou brinquedo de menino.

Gabriel correndo serelepe pela Praça Antônio com seu pai ao fundo, em Poços de Caldas, 1991.

E foi assim durante um bom tempo, eu era uma criança, não era considerado nem menino nem menina.
O tempo foi passando e eu crescendo e cada vez mais delicado era muito bom aluno na escola, o que me gerava inumeras amizades, deixei o cabelo crescer e era muitas vezes confundido com uma menina. Com oito anos eu ainda não havia desistido de fazer ballet, e meu pai um dia me levou à minha primeira aula de ballet, era como se eu tivesse nascido pr'aquilo! Nunca me senti tão bem num lugar fazendo alguma coisa como eu me senti na minha primeira aula de ballet.
Aos dez anos e eu só tinha amigas e a cada dia eu tinha menos contatos com meninos, eu já tinha certeza de que era gay e nunca tive problemas com isso, sempre admirei homens bonitos e ficava encantado com eles. Com quinze tive meu primeiro namorado e minha mãe descobriu, ela foi super compreensivel e disse que acima de tudo eu ainda era seu filho e a aceitação aqui em casa foi uma coisa boa e tranquila, nunca sofri preconceito por parte de familia e amigos. Hoje com 23 anos parei de dançar a 2 anos e depois de uma carreira muito boa no Ballet Clássico sigo outros rumos na minha vida, mas ainda dentro da Arte!

- Crush por famoso: Eu nunca tive nenhum crush por famoso quando era mais novo, Ah, mentira! Tive sim! O Junior Lima na época do seriado Sandy e Júnior! =X

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Em algum lugar do Brasil, 1994 ou 95 quem sabe 96.

Meu nome é Esther, nasci em 1989 em São Paulo. Infelizmente essa é a única foto que achei e não tenho uma data exata, muito menos de onde foi tirada. Sei que foi em alguma das viagens que fiz com meus avós, e tô com cara de uns 5 ou 7 anos.

Sempre gostei muito de brincar de Barbie. Não saía do mercado enquanto meus pais não me dessem a porra da boneca loira. Quando ganhei a casa da Barbie da Fada do Dente na Páscoa num embrulho verde do Mappin (gente, criança é um ser tão inocente) foi que realmente começou a festa. Demorei muito pra ganhar um Ken, mas quando ganhei... Ele saía pra trabalhar e a minha Barbie fazia a festa com suas amiguinhas. Sim, elas se pegavam. Era a parte que eu mais gostava. Aliás, me excitava.
Mas a grande verdade é que só fui começar a descobrir quem eu realmente era nos meados dos meus 10, 11 anos, quando "perdia" mais tempo observando as meninas que os meninos, e sempre com sentimento de culpa. Lembro de como ficava pensando "Não, não sou sapatão". É meio trash, mas o que falar pra uma menina com essa idade que cresceu ouvindo muitas críticas sobre homossexuais e negros? Passei a maior parte da minha infância na casa dos meus avós, faz sentido afinal. Não que eu ache que justifique, mas hoje eu - e penso que muita gente - compreende que para pessoas mais velhas, que tiveram uma criação dura, é muito mais difícil aceitar do que para nossos pais, por exemplo. E tem mais um fator: meu avô é a pessoa mais querida, decepcioná-lo não está nos meus planos. E olha que meu avô aceita muita merda de mim, mas essa eu tenho medo. Enfim.
Acho que se não tivesse conhecido os amigos que tenho, não teria saído do armário tão cedo. Quando você conhece pessoas que já estão dentro desse mundo, as coisas se tornam muito mais fáceis, não parece um bicho de sete cabeças e as dúvidas vão sendo explicadas. Lembro que foram muitas investidas até eu realmente ceder ao meu primeiro beijo lésbico, mas que foi um alívio tão grande perceber que, antes de ser uma mulher, era uma pessoa, uma pessoa como todas as outras milhares que existem no mundo. Isso aconteceu quando eu tinha 14 anos.
A minha felicidade era tanta que, gente, foi uma imbecilidade o que eu fiz, mas ok. Sempre sofri bullying a partir do momento que troquei de escola. Eu era a gorda, a nariguda... Aprendi a lidar com isso, até sinto saudades, pra ser sincera, mas a minha imbecilidade aconteceu no último colégio que estudei. A felicidade era tanta que acabei me assumindo e, paredes tem ouvidos e eu falo alto, então as meninas achavam que só porque tinha beijado uma menina, eu queria traçar todas elas. Ok, barangas, nunca tive vontade, engulam essa e não se achem muito da próxima vez. De qualquer forma, lidei bem com isso, já era da turma dos excluídos e sou da opinião de que é amigo meu quem quer, goste de mim como sou.
Da família, me assumi primeiro para meu tio, em seguida para meu irmão mais velho (e no dia que me assumi minha mãe ouviu, mas nada mudou, eu sabia que ela sabia, ela sabia que eu sabia, e fingíamos que não estava acontecendo nada). Já beijei uma menina na frente do meu irmão mais velho e foi tranqüilo. O problema maior foi meu irmão mais novo que, na época que namorava uma menina, resolveu começar a forçar a barra nas piadinhas, e minha mãe, diva, simplesmente disse "Se você não gosta, saia de casa, seu irmão e eu não temos problemas com isso". Eu comecei a trocar idéias com a minha mãe sobre isso quando namorava essa menina, ela chegou a vir em casa, e minha mãe super relax. Não posso reclamar, foi uma saída de armário sem muitos dramas.

- Primeiro Crush por pessoa famosa: Tchans, minha primeira paixão do mesmo sexo, vou ser franca, me apaixono mais por personagens do que por pessoas. Amava a Tomoyo, de Sakura Card Captors.

Twitter: @stheh


"Acredito que todo adolescente gay já deve ter pensado sobre suicídio. Eu sei que eu já. Por causa da minha educação, cresci achando que ser gay era errado e que minha única saída era me casar e ter filhos. Antes de dormir, rezava e pedia a Deus que ao acordar, começasse a gostar de meninas, como um toque de mágica. Me considerava um pervertido, não entendia que o desejo por meninos já nascera em mim. Meu pai gritava para que eu engrossasse a voz. Eu tentava, mas as vezes não conseguia. Porque eu precisava falar como um adulto? Tinha só 6 anos. Minha adolescência foi pior, pois todos os meus amigos começavam a namorar. Eu tinha certeza de que encontraria uma garota que me mudaria e me transformaria em heterossexual. Nunca aconteceu. E minha tristeza só aumentava. E só queria morrer e parar se sofrer. Comecei a gostar do meu melhor amigo. Namorava uma garota, mas ainda amava meu amigo. A dor que o desentendimento causa num adolescente é dilacerante. E antigamente, a possibilidade de me aceitar aos 16 anos era incompreensível.


Deus sabe onde, 1983 (6 anos)


De repente, saí da escola e conheci outras pessoas. Já não via mais meu amigo, e assim, aos poucos ele se foi do meu coração. Os anos se passaram e quando fiz 23 anos, resolvi ter uma conversa comigo mesmo...Foi o outro Wanderson quem me ouviu dizer aquelas palavras pela primeira vez: Eu sou gay. Aquele do espelho. Eu sorri. E ele retribuiu. E me senti mais leve. Fui então contando para os amigos. E cada vez mais, me sentia melhor. E de repente surgiu essa nova pessoa.
Mais realizada. Porém em casa as coisas continuavam. Contaram à minha mãe que eu era gay. E seu filho preferido não era mais preferido. E ela se afastou. Minha irmã descobriu uma carta de amor que escrevi para outro homem e me censurou. Resolvi então contar tudo ao meu irmão, que no começo estranhou, mas tentou entender. Afinal, ele ainda era um adolescente. E fui descobrindo um mundo que eu não conhecia. Outros amigos que eram felizes com sua sexualidade. E me entreguei completamente para um relacionamento com outro homem pela primeira vez. E como todos os relacionamentos, tivemos altos e baixos até
culminar num término. Mas amadureci até conhecer Alexandre. E foi ele quem me ensinou sobre orgulho e não ter medo de ser quem sou. E hoje, minha mãe me olha de outra forma. Como alguém que também construiu sua família. Foi difícil, mas recompensador. E meu irmão e irmã são mais companheiros do que outrora.
Hoje, aos 34 anos, não queria ser nada mais, além de gay. Acredito que tudo o que eu construi, as pessoas que estão na minha vida e as que já foram embora e os obstáculos pelos quais passei me fizeram um homem melhor. Portanto, digo a todos, as coisas melhoram... e MUITO."

Primeiro crush do mesmo sexo: Richard Chamberlain (em 'Pássaros Feridos')

Facebook do Wanderson.
E seu Blog.



Wanderson hoje em dia.

Rio Grande do Sul, 1989

Olá! Meu nome é André, nasci em 1982 numa cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, onde moro até hoje. A foto que envio é datada de 1989, ano em que eu estava na 1ª série. Devia ter uns 7 anos.

Sempre me senti diferente dos outros meninos. Nunca gostei de brincar com estilingue, jogar bola e outras brincadeiras típicas masculinas.

Gostava mesmo era de ficar no meu quarto, olhando televisão e cultivando a minha grande paixão pelos livros, revistas e histórias em quadrinhos. Gostava de jogos como jogo da memória, damas, caça-palavras (sabe aquelas revistinhas Coquetel?), roleta...

Fui um ótimo aluno - com exceção da Educação Física - e tinha boas notas. Levava a sério os estudos mesmo.

Lembro que na 2ª série, tinha um coleguinha chamado Hilton, que já me chamava a atenção. Talvez, meu primeiro amor não correspondido.

Desde cedo fui alvo de gracejos: mariquinha, mulherzinha, bichinha e afins. Eu ficava muito chateado e cada vez mais me recolhendo, cada vez mais tímido e inseguro... Me sentia mal por não ser igual aos outros guris da vizinhança.

Quando era obrigado a jogar futebol, me sentia humilhado. Várias vezes me escondi no banheiro da escola para me poupar desses momentos.

Meus pai notavam que eu era diferente e me orientavam a "agir como homem". Isso foi causando um distanciamento entre nós. Da parte do meu pai, muitas vezes, eu percebia rejeição. Da minha mãe eu era mais próximo.

A leitura de livros e histórias em quadrinhos era meu refúgio naquele mundo sem internet. Tornei-me frequentador assíduo da biblioteca pública. Meus pais não compravam livros. Na cabeça deles, era desperdiçar dinheiro. Hoje em dia, até que meu relacionamento com eles é razoável, tanto que ainda moro com meus pais.

A adolescência foi uma fase complicada em relação à sexualidade também. Nem vou entrar em detalhes. Só fui me resolver mesmo, depois dos 20 anos.

Dizem que tudo na vida tem um lado bom e um ruim. Talvez seja. Quase toda a minha vida acadêmica foi direcionada para a leitura, inclusive, uma das minhas monografias foi sobre os quadrinhos e a formação de leitores.

- Crush por famoso:
Até hoje lembro de uma foto que vi do Vitor Fasano sem camisa numa revista Contigo da minha mãe que me deixou encantado (risos). Nossa, eu deveria ter uns 9 anos e peitorais masculinos já me chamavam atenção. Lembro também que não perdia a novela Vamp.

Email: interior1982@gmail.com

Ilhéus, 1991

Essa foto foi tirada em 1991, devia ter uns 3 anos ou o ano deveria ser 1991 já que a pessoa tem ou não 3 anos.

Eu não tenho muitas fotos de quando era pequeno, pq minha mãe era hippie e meu pai maconheiro que me dava semente da dita cuja pra comer. Eu inclusive adorava, mas minha mãe ficava meio puta com isso, então ele me chamava nos cantos e me dava as sementinhas e eu comia escondido de minha mãe. Ao menos não era carne, já que como boa hippie, minha mãe era vegetariana e eu fui criado à base de papinha de cenoura e tofú.

Era super moderno como vocês podem ver, usava wayfarer antes de vocês virarem restart, usava maquiagem – fetiche por negão – e já era possuído pelo ritmo ragatanga, dançava aserehe ra de re de hebe tu de hebere seibiunouba mahabi an de bugui an de buididipi antes de existir rouge. Como vocês podem ver... um revolucionário.

Na época dessa foto, morávamos em Ilhéus, onde eu nasci. Depois – seguindo os instintos hippies de novo – minha mãe se mudou para Trancoso (nessa época ela já raspava o suvaco) e mais tarde pra uma cidade chamada Piatã, 22 mil habitantes no interior... beeeeeeeeeeeeeem interior aqui na Bahia. FUDEU. Foi feita minha desgraça.

Interior geralmente só tem um viado, aquele afetado que provavelmente trabalha em algum salão que tem os cabelos cacheados compridos e sobrancelhas bem feitas, fora isso, ninguém é gay.

Então eu era o menino viadinho da escola que não pegava as menininhas nas festas. Fiz uma grande amiga lá e foi assim até o fim dos meus dias por lá, que se deu no começo de 2004, voltei pra ilhéus, fiquei dois anos e fui morar em SALVADOR.

Daí as coisas foram acontecendo naturalmente, eu quando cheguei lá não ficava com meninos e nem meninas, era meio assexuado.

No ápice dos meus 17 anos, uma amiga me disse: Lucas tá afim de você, e PLIM, tudo fez sentido. Não fiquei com o Lucas, mas sim com o Rafael e transei com o Thiago, tudo em uma semana, na primeira semana.

Liguei pra minha mãe no outro dia, e falei: “mãe, fiquei com um homem” ela: “usou camisinha?”. E daí fomos convivendo com isso, ela é ótima, minha família toda sabe e não debatem isso, não comigo ao menos, mas respeitam muito. Meu pai – hoje separado de minha mãe – finge que não sabe. Meu último namorado vinha para minha casa, dormíamos no mesmo quarto com uma cama de casal e a família procurou se acostumar com isso,

espero que seja daí pra melhor até o fim dos dias, amém.

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- Primeiro Crush Famoso: Não sei bem se vale, mas eu era fã de um ator de uma fotonovela pornô que eu tinha, foi o primeiro homem de minha vida, mas entre os famosos, o primeiro e rola até hoje, foi Robbie Williams (rezava pra aquela câmera maldita deixar eu ver algo no clipe de Rock Dj) e depois veio a fase Johnny Depp.

Facebook: http://www.facebook.com/ravelbrasileiro

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Email: ravobr@gmail.com


Santa Catarina, 1991

Pra explicar essa foto eu tenho que explicar como eu cheguei a esse lugar e pra isso eu tenho que fazer um breve perfil de mamãe...
Minha mãe é a única filha mulher de uma senhora italiana que teve DEZ filhos. Além de ser minoria ou talvez por ser minoria, ela era a ovelha negra de uma imensa família machista, provinciana e tradicional onde até mesmo a mãe dela valorizava mais os homens por algum motivo que não me interessa.
Aos dezoito anos minha mãe casou com o primeiro traste da "cidade grande" que encontrou apenas para se ver livre do seu lar masculino, depois de 5 anos de casamento ela teve a felicidade de acrescentar mais um adjetivo "negativo" ao seu já vasto de razões para ser rejeitada.
Voltou para a casa dos pais com uma filha e sofreu bullying de toda a família, fugiu com um hippie e foi encontrada anos depois com mais dois filhos, uma menina e um menino caçula que foi fotografado na Monark com cestinha da irmã mais velha, tudo que era delas era meu S2
Durante toda a minha vida eu fui mimado por 3 mulheres e comentado por uma enorme quantidade de ogros (irmãos de mamãe) que sempre diziam entre si que eu viria a ser gay e que ela não conseguiria criar 3 filhos sozinhas por motivos já referidos, que na opinião deles a tornava incapaz.
Com medo de falhar, minha mãe sempre me aterrorizou com a homossexualidade, me pressionava a falar grosso, a gostar de futebol, a olhar as meninas, a coçar o saco e a desligar a TV quando começava Chiquititas. Mas também me mimava muito, sempre me deu tudo que eu queria (Na cor azul), e evitava coisas perigosas com medo que eu me machucasse, pois não queria que a acusassem de não ser cuidadosa, por isso não sei andar de bicicleta, nem de patins, nem dirigir e nunca andei de moto...
Com 13 anos comecei a mostrar gosto por desenho. Desenhava Dragon Ball o dia inteiro e era apaixonado pelo Vegeta com seu jeitinho hostil e me mudei pra Portugal, pois a família da minha mãe adorou a ideia de vê-la muito longe.
Com 15 comecei a desenhar por mim mesmo, a criar coisas e todos diziam que eu devia estudar moda. Minha mãe odiava e com razão dizia que isso não dava futuro pra ninguém.
Quando eu tinha 17 anos, uns tios meus vieram a Portugal e ficavam dizendo pra minha mãe que era pra ela desistir, que eu era gay e o motivo principal era o meu hobbie/vício que como já disse, era desenhar.
Com 18 anos recém feitos, mamãe me mandou sair de casa, eu saí, comecei a trabalhar fora, trabalhei em todo tipo de subemprego como obra civil, lenhador, ajudante de padeiro... Tempos muito difíceis.
Até que entrei em uma loja onde ganhava muito bem e comecei a viver bem por minha conta, pintei o cabelo de loiro platinado e me jogava na noite, todas as noites. Essa época passou e hoje eu estou novamente morando com mamãe, nunca mais falamos sobre sexualidade, muito menos sobre a minha. Ela continua não gostando nada, e não tem medo de expor opiniões como "Gays são tarados", "Gays são pscicopatas", "Eles não têm vergonha na cara", mas nem ligo e com a ajuda dela estou prestes a abrir meu primeiro restaurante. Entendo que ela e qualquer pessoa seja anti-homossexualidade, todo mundo é “anti” algo que nasceu como nasceu, até eu sou...

- Primeiro Crush por pessoa famosa: Meu primeiro crush foi pelo Humberto Martins na época de Quatro por Quatro

Na foto, estou eu saindo de um show da Xuxa que aconteceu em SP. Sempre fui um louco e hipnotizado por ela, até hoje. Veja que eu não consigo nem tirar os olhos da foto..
E notem o microfone típico! HAHA



Eu gostava de brincar com as meninas. Nunca gostei de futebol. Os meninos suando, sujos, estas coisas.. tinha nojinho!
Uma vez, num shopping, fiz um escândalo numa loja de brinquedos, pela boneca da Xuxa. Minha vó não aguentou, e mesmo contrariando meus pais, comprou pra mim. Tenho esta boneca até hoje.
Aos 14 anos começou a era do bullying.. eu, cdf e de óculos, com uma voz que demorou mais pra engrossar.


São Paulo, 1991


Transformei todas estas piadas em força pra me destacar, e hoje tenho muito orgulho de tudo que conquistei em tão pouco tempo.


Meus pais sabem. Psicólogas também. Eles não entraram num acordo. Ainda fazem de conta que não sabem...


- Primeiro Crush por famoso: My 1st crush foi o Luciano Amaral, o Lucas Silva e Silva, com 5 anos (sim.... 5 anos) ... Depois, com 15 anos, o Chris Duran... que hoje é evangélico HAHHA! :P














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Nessa foto eu tô em algum lugar da escolinha da minha mãe, onde eu estudei até os seis anos. Lá era um lugar mágico onde os meninos podiam passar batom e usar uniforme de balet (minha fantasia preferida era a capa da chapeuzinho vermelho). Ironicamente, construtivismo me preparou pra muitas coisas menos pros meus dez anos de bullying.


E se vocês conseguirem parar de olhar para as minhas mãos e subirem até o meu rostinho, é fácil entender que além de Bambi, também me chamavam de Dumbo. Dois personagens da Disney na mesma criança, não tinha como ser mais gay.

Eu nunca contei pra família, só pra minha irmã que é a fofa pixelada, mas não faço muito esforço pra esconder.






Escolinha da mamãe - 1994







- Primeiro Crush famoso: DAVID YOST, olha aí meu
gaydar que não me deixa mentir. Mas meu episódio preferido de Power Rangers era o que o Billy trocava de corpo com a Kimberly, então era um crush meio fucked up.

Facebook do Pedro Moreira.









(Colocamos uma foto do Pedro nos dias de hoje só de sacanagem)